Psicóloga comenta condenação de Léo Lins e os efeitos psicológicos do “humor” que fere

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Diante da repercussão da notícia de que o humorista Léo Lins foi condenado a 8 anos de prisão por piadas com teor preconceituoso, a psicóloga preparou um comentário sobre os limites do humor e as consequências emocionais desse tipo de discurso — especialmente quando atinge públicos mais vulneráveis.

Comentário da psicóloga Andrea Beltran
 

O riso é uma das expressões mais poderosas da alma humana — pode curar, unir e aliviar. Mas quando o humor se transforma em ferramenta de exclusão, ele passa a ferir, e não a libertar. Piadas ofensivas, disfarçadas de entretenimento, muitas vezes mascaram formas sutis (e socialmente aceitas) de bullying.

Quando o alvo é constantemente ridicularizado por sua raça, deficiência, religião ou qualquer outra característica pessoal, isso pode gerar feridas emocionais profundas, tanto em adolescentes quanto em adultos. O “humor” que humilha reforça estigmas, mina a autoestima e contribui para o isolamento, ansiedade e depressão.
 

Do ponto de vista da psicologia analítica, o inconsciente coletivo guarda arquétipos e símbolos que moldam a forma como enxergamos a nós mesmos e aos outros. Quando esses símbolos são usados para ridicularizar, eles perpetuam imagens negativas que se fixam nas estruturas psíquicas — principalmente das crianças e jovens em formação.
 

É essencial repensar o que chamamos de engraçado. O riso não precisa nascer da dor do outro. O respeito nunca deveria ser a piada. E talvez estejamos, como sociedade, apenas começando a entender a responsabilidade que vem com o microfone, o palco — e a palavra.

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