Quando dois astronautas americanos partiram em uma missão de teste para a Estação Espacial Internacional (ISS) no dia 5 de junho, esperavam retornar em poucos dias.
Contudo, os planos não saíram como o esperado.
Atualmente, Barry “Butch” Wilmore e Sunita Williams continuam no espaço, flutuando a milhares de quilômetros da Terra, quase dois meses depois da decolagem.
A dupla, que agora permanecerá na estação espacial por tempo indeterminado, enfrenta a possibilidade de perder o verão no hemisfério norte e até mesmo passar o Natal e o Ano Novo no espaço.
Esta foi a primeira missão desse tipo com tripulação e tinha como objetivo testar o desempenho da nova espaçonave antes de seu uso regular.
Entretanto, problemas começaram a surgir quando a aeronave se aproximava da estação, incluindo vazamentos no sistema de propulsão e falhas em alguns propulsores.
Embora tenham chegado à estação em segurança, precisarão de um meio alternativo para retornar à Terra, caso a Starliner não seja considerada segura para o voo de volta.
Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, a NASA informou que ainda não há uma decisão sobre os próximos passos.
“Nossa primeira opção é trazer Butch e Suni de volta na Starliner”, afirmou Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA. “No entanto, planejamos cuidadosamente para garantir que temos outras alternativas.”
Uma das possibilidades em discussão é integrar os astronautas a uma missão prevista para setembro e trazê-los de volta à Terra com esse voo em fevereiro de 2025.
Essa missão à estação espacial será realizada por uma nave Crew Dragon da SpaceX. O plano inicial era que quatro tripulantes estivessem a bordo, mas dois assentos poderiam ser deixados vazios, se necessário.
Isso significaria que Wilmore e Williams passariam mais de oito meses – em vez de apenas oito dias – a bordo da Estação Espacial Internacional.
Se a Crew Dragon for utilizada, a Starliner retornará à Terra sem tripulação, operada por controle remoto.
A NASA informou que pode levar uma semana ou mais até que uma decisão final seja anunciada.
Ken Bowersox, diretor de operações espaciais da NASA, disse aos repórteres que a probabilidade de um retorno não tripulado da Starliner “aumentou um pouco com base nos eventos das últimas duas semanas”.
“Por isso, estamos avaliando essa opção com mais atenção para garantir sua viabilidade”, acrescentou.
A utilização de uma nave da SpaceX para trazer os astronautas de volta seria um revés para a Boeing, que tenta competir com a empresa e sua já testada Crew Dragon.
Recentemente, a NASA utilizou um foguete da SpaceX para enviar alimentos e suprimentos à ISS, incluindo roupas extras para os dois astronautas.
No mês passado, durante uma breve coletiva de imprensa, a dupla expressou estar “absolutamente confiante” no retorno e elogiou a Starliner como “verdadeiramente impressionante”.
Essa é a terceira viagem de Williams, uma piloto aposentada da Marinha, para a ISS. Wilmore, um ex-piloto de caça, já esteve no espaço em outras duas ocasiões.
“Estamos bastante ocupados aqui, integrados à tripulação”, comentou Williams em uma recente conversa com repórteres via videoconferência.
“É como voltar para casa. É bom flutuar por aqui. Estar no espaço e trabalhar com a equipe da Estação Espacial Internacional é ótimo”, afirmou. “Então, sim, é maravilhoso estar aqui em cima.”
A Boeing esperava que a missão inaugural da Starliner abrisse as portas para o uso regular de sua cápsula em missões de ida e volta à estação. A Crew Dragon da SpaceX está autorizada para missões da NASA desde 2020.
Embora os astronautas estejam passando muito mais tempo no espaço do que o previsto inicialmente, outros já estiveram em órbita por períodos significativamente mais longos.
O cosmonauta russo Valeri Polyakov ficou 437 dias no espaço a bordo da estação Mir na década de 1990.
No ano passado, Frank Rubio retornou da ISS após 371 dias, o maior tempo que um americano já passou no espaço.
O russo Oleg Kononenko, que também está atualmente na ISS, foi a primeira pessoa a passar mais de 1.000 dias no espaço ao longo de sua carreira.
Em suas entrevistas e briefings, os dois astronautas têm demonstrado otimismo. “Não estou reclamando por estarmos aqui por mais algumas semanas”, disse Williams no mês passado.
Com a situação atual, a dupla pode acabar passando ainda mais semanas no espaço.
